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quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

A Justiça

Fonte da imagem: https://www.flickr.com/photos/joanet/5797069081

Cada pensamento bom ou ruim desejado, cada palavra, cada injuria, cada prece nos serão devolvidos pelo Universo com a mesma força e intensidade. Se fazemos ou desejamos o bem ou o mal, é isso que receberemos na mesma proporção.
Fala-se da Justiça como o símbolo da imparcialidade. A justiça terrena dá-nos o que se plantou, a Justiça divina, nos julga por nossos atos cármicos. É crime e castigo, erro e punição, causa e efeito.

A Justiça representa o equilíbrio, a justa medida em todas as relações e trocas de atos e energias, é determinar até onde pode ir a liberdade e onde deve haver limites, até onde podemos ceder ou conter os ações, atitudes e vontades dos outros em relação a nós e vice-versa, é quando a minha liberdade acaba e a do outro começa.

“Segundo o filósofo Platão, justiça é dar a cada um aquilo que lhe é próprio...”

Nos sentimos injustiçados, injuriados, roubados e desrespeitados.
As nossas paredes estão ruindo e temos medo do que estamos perdendo, de viver o desconhecido, da fome, dos absurdos, e tudo isso nos leva a crer que nada voltará a ser como era antes, e descobrimos tardiamente que mesmo existindo bases sólidas não havia mais como sustentar a estrutura apodrecida!
As máscaras caíram, agora o que nos resta? Os culpados estão soltos, como cobras se enroscam e se aninham em suas recheadas poltronas.
Como nos libertarmos de nossos medos e desilusões? Onde buscarmos a esperança e como voltarmos a confiar na Justiça terrena?
Esta que agora nos falta, e mesmo que falhe, com toda certeza a Justiça Divina não falhará.
Léah                                                               Fim

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

Loucuras!!

             O Louco -Arcano do Tarot - Art Nouveau

Existe em nós a loucura de estarmos todos neste mundo, juntos com quem nos agrada e não.
Não somos capazes de amar quem nos causam medo, dor, prejuízos e ansiedades.
Seremos nós inadaptáveis? Claro que não.
Para renunciarmos a todos os valores que nos foram impostos ou condicionados, seriamos pelo menos taxados como irresponsáveis, ou loucos.
Mas quando é que realmente, renunciamos ao nosso status quo, e partimos em busca de nossa felicidade, encaramos o mundo com despreocupação, buscando mais vivacidade, sem preconceitos, sem regras, em busca da inocência perdida, penetrar no reino do desconhecido, pensar apenas em aventurar-nos levianamente?
Para isto, seria preciso a renúncia, e irmos para a vida sem expectativas estabelecidas, com ingenuidade, e insensatez, prontos até para quebrarmos a cara! Dispostos a nos envolvermos em algo novo, apesar da falta de experiência na questão, com imaturidade ou com o conhecimento mais profundo da vida.
Eis o quê representa O LOUCO no Tarot.  
Léah                                                                                 

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

A Audição

óleo sobre tela, "o vaso e a rosa"
Susana tinha um vestido de festa, que ela ingenuamente achava lindo, era vermelho com listinhas brancas bem fininhas, as nervuras entremeadas com rendinhas na frente, davam um enchimento a figura magra da menina de dez anos.
Marli sua amiga e vizinha, era rica e aprendia, por vontade de sua mãe a tocar acordeom, ela mesma detestava, não fazia parte de seu sonho ou vocação, e invejava Susana por ser pobre e portanto não podia nem que quisesse aprender a tocar nenhum instrumento, mas o fato é que ela a Susana bem sonhava em aprender a tocar piano, mas era só um sonho que ela fantasiava e batia os dedos na mesa imaginando ser um piano e ela tocando para uma plateia que a aplaudia de pé.
Um dia Marli veio com um convite para Susana, era fechado com um lacinho de fita cor de rosa, escrito em letras douradas os nomes de todas as crianças que iriam se apresentar na audição na escola de música, e ela poderia ir, afinal tinha um vestido de festa que usara no natal e ano novo, feito por sua mãe, que o lavava e pendurava num cabide no guarda-roupas, com a advertência de que ele era só para festas.
Chegou o grande dia ansiado por Susana e detestado por Marli, o vestido vermelho de listinhas brancas saiu do guarda-roupas, o cabide vazio, lá ficou balançando no armário à espera do único vestido.
Susana feliz e ansiosa, sua mãe prendeu seus cabelos em duas tranças com laços de fita de cetim, e em sua ingenuidade Susana se achou chique.
Marli, suas irmãs a mãe e Susana, entraram no carro e rumaram para a escola de música.  Marli estava com um vestido vaporoso de tule que a fazia parecer uma fada, era o que Susana achava e não cansava de admirar aquela belezura de vestido, seus sapatos pareciam de boneca eram cor de rosa como o vestido, Susana tentava esconder inutilmente seus pés com sandálias já arranhadas feitas de couro de barriga de boi, segundo ouvira sua mãe dizer, Marli e suas irmãs usavam pulseira de plaquinha com seus nomes gravados, brincos de bolinha de ouro, anel com pedrinhas que brilhavam!
Chegaram à escola de música, adultos procurando seus lugares na plateia. As musicistas foram por outro corredor com seus instrumentos.
 No palco quando a cortina abriu Susana achou que assim deveria ser a entrada do céu. O teto alto com estrelas pintadas, que brilhavam com o reflexo do lustre enorme, no fundo um cenário com pássaros e flores. Um piano no canto e todas as crianças vestidas como fadas umas de azul, outras de rosa os meninos pareciam príncipes, mais à frente uma cadeira solitária, para o musicista se apresentar na sua vez, e mais atrás todos sentados esperando.
Susana encantada com toda aquela beleza, se o céu fosse assim não se importaria de morrer naquela hora, pensando melhor, não poderia ir para o céu com aquele vestido vermelho, teria que estar como uma fada, ou princesa, talvez não conseguisse que a deixassem entrar com aquelas sandálias feias, seria melhor descalça.
Toda a sua alegria e ansiedade foram se dissipando, o entusiasmo se transformou em conjecturas e fantasias de como seria ela sentada naquele piano, e todos aqueles aplausos que ouvia a cada criança que se apresentava, eram para ela e mentalmente ela se curvava e agradecia, e tocava de novo atendendo aos pedidos de bis, sonhos somente sonhos...
Eram muitas crianças se apresentando, Susana foi ficando cansada e cochilou, até que a irmã da Marli a cutucou -acorda chegou a vez da Marli tocar. Pobre Marli, que detestava acordeom ou qualquer outro instrumento, ela errou no compasso, nas notas, e de tanto errar a professora puxou o aplauso da plateia para ela dar por encerrado todos os seus erros.  
A Audição foi nas palavras da mãe da Marli um fracasso, e um tempo depois os sonhos de ter uma musicista em casa foi terminado, com a Marli revelando que erraria em todas as audições.
O vestido de festa de Susana, voltou para o guarda-roupas depois de lavado e passado, mas durou pouco porque ela estava crescendo e ele encolhendo por ser de chita. Nunca teve sapatos de boneca nem um vestido de fada ou de princesa, mas quem se vestiu como tal, também nunca chegou a ser fada nem tão pouco princesa.
Mas a vida é assim o homem põe e Deus dispõe, ou como diriam os franceses “c’est la vie”

Léah                                                                                                                                                                Fim

quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

óleo sobre tela -"Mar Manso"

Esperei a tristeza, sabia que ela viria.
Esperei a saudade e ela não se fez esperar,
Acho que são irmãs gêmeas, se tivessem aparência
seriam aterradoras, com garras pegajosas,
Agora estou esperando a alegria, como um vento fresco
Como aquele que desejamos numa tarde quente de verão.
Léah


quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

A incompetência somada com a ganancia e a falta de amor

Natasha ( fotografia)

Ontem foi aniversário de meu marido, o dia deveria ter sido alegre, mas estávamos atormentados sofrendo com a doença de nossa cadela Natasha, a noite foi triste pois minha querida companheira, fiel, amiga Natasha morreu, estou arrasada, com o coração aos pedaços, com vontade de bater e socar toda a raça de veterinários, o anestesista, que adiou a cirurgia por duas vezes, o cardiologista bem indiferente na mesma linha de frieza.
Surgiu na coxa do lado externo dela (Natasha), uma bola, que segundo o primeiro veterinário disse ser causada por alguma vacina mal dada, e que não era nada para nos preocuparmos, bastava anestesiar o local, fazer uma incisão esvaziar e dar uns pontinhos, mas ele não fazia! Tínhamos que procurar outro. Fiquei pensando não aprendeu a lição, colou nas provas, e o pior só quem dava vacina nela era ele, não sabia nem fazer isso direito! Este foi descartado. Descobri que numa faculdade de veterinária no bairro seguinte ao meu, os professores faziam os procedimentos assistidos pelos alunos. Levei-a lá, mas não tinha hora marcada era por ordem de chegada, fomos eu e minha filha. Um monte de gente com seus cães, gatos e pássaros, no portão do lado de fora, na rua. Como marcar a hora de chegada assim? Muito tempo depois, abriram o portão e ficamos olhando o estouro da boiada, todo mundo correndo para serem os primeiros. Se fosse um serviço gratuito, a gente sabe que é assim, mas não era!  Quando consegui entrar a sala de espera cheia, eu controlando a Natasha que era muito “dada” e queria confraternizar com todos, gente e bichos, mas nem todas as pessoas queriam esse afeto, e eu puxava e grudava-a a minha perna, sem sucesso algum. Esperamos quase duas horas e acabamos desistindo. Minha filha descobriu uma outra veterinária, que indicaram como ser ótima em competência, cujo consultório é na entrada da Favela da Rocinha, que sabemos ser violenta, mas tinha por lá uma UPP instalada e não se ouvia falar de violência já há algum tempo, ela e o irmão foram, na fé sem medo.
A médica pediu exames de sangue, e coração, fez biópsia e não deu nada grave, mas antes que pudessem voltar com os exames começou uma luta de traficantes na dita favela, durante dias seguidos, não voltaram  mais, e tivemos que procurar outro profissional para resolver a situação, neste interim a bola estourou em sangue. Começamos uma nova busca de medica para ela, achamos uma veterinária que disseram ser mais especializada e o novo exame de coração foi pedido e ultras, e coleta de sangue, e a cachorra já entupida de remédios antibióticos, ante inflamatórios, unguentos, mas a bolota que havia esvaziado recomeçou a encher e crescer, e ela com uma tosse como se estivesse engasgada, deram dieta para emagrecer,  remédio para o coração e o anestesista adiando, a veterinária seguindo a procissão, e o cardiologista  mais remédio mais 15 dias antes de operar, eu já estava tão malcriada, e nervosa com todos já não dormia direito, preocupada, e irritada com a cara de pau dos veterinários que estão procedendo como os médicos de humanos, exames de todos os tipos e não resolvem a doença, INCOMPETENTES e GANANCIOSOS do inferno.  Ela recomeçou a sangrar, levamos na veterinária, e ela teve a cara de pau de dizer que descobriu que quando a mosca entra e dá bicheira é bom, pois elas comem toda aquela matéria e aí é só tirar as pele vazia, porque meu Deus eu tenho essa educação que não me deixa falar, bater, chutar !!!??? Falei com a minha filha vamos dar por nossa conta um ante hemorrágico para cães, mas ficamos com um pouco de medo, e demos uma dose fraca, e ligamos pela centésima  vez para a veterinária que mandou duplicar a dose, mas já era tarde ela estava com anemia, e a tosse que a abafava, nada receitou, ainda adiou a cirurgia já antes adiada para sexta feira 26 de Janeiro, ontem ela ficou sentada das sete horas da manhã até morrer as 20 horas se deitasse não conseguia respirar, a língua ficava roxa, e ela sentava, até que não aguentou mais deitou e morreu  cheia de sangue no chão
Ela morreu  abafada sem ar tossindo, sangrando, e seu olhar me pedia socorro, e eu nada pude fazer.
Minha filha está arrasada, ela correu atrás de solução e socorro mais que eu, meu filho, meu marido todos com o coração partido, sem conter as lágrimas.
A corrupção chegou até aí, pedem exames, muitas consultas, sem se importar com a dor alheia, ficam em cima de um pedestal, como se fossem deuses, donos da vida e dos sentimentos. Nunca convivi com tanto desamor e frieza, Para mim são excrementos não são gente.
Léah


quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

óleo sobre tela : 'A esquina'

Pensamento

Se eu fosse só, encheria minha vida de sonhos impossíveis, de beijos inesquecíveis, de amores desejados. E viveria uma vida cercada de personagens todos perfeitos.

quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

Novo Ano x Silêncio

Acrílico: 35 x 16- Lírios da Paz
O movimento enchia a casa de risos, conversas variadas, vozes femininas e masculinas. A cozinha era o ponto alto, cheiros dos assados, das tortas, do açúcar queimado das caldas, indo para a copa o cheirinho perfumado dos pêssegos abacaxis e mangas, com suas cores aumentando a beleza do ambiente.
Eram perfumes, sons e cores de festa, de alegria pelo ano que se despedia e outro que estava com o pé na porta para ir embora.
Estávamos ali numa festa de adultos, e no entanto parecíamos crianças alegres numa brincadeira num parque.
 Fomos para a praia, meia noite, abraços e beijos, votos de feliz ano novo, os fogos de artificio estourando iluminando o mar e colorindo o céu. A alegria pairava no ar, embora fosse momentânea, fazia parte, era como se todos dessem um voto de esperança para que a alegria  perdurasse pelo ano todo.
Voltamos para casa, agora a mesa já posta esperando os comensais.
Foi uma linda festa, tudo passou, o dia foi amanhecendo os convidados indo e aquele silencio saudando o novo ano, o silêncio é tão divino como a alegria, e também tão necessário quanto, é o descanso para a alma é  a paz. Lembro-me das palavras de minha mãe, que quando após muitos sons de alegria ou não, o silêncio se fizesse era Jesus por ali passando. Não sei nem saberei nunca se isto é lenda ou um sentimento, ou quem sabe uma verdade, só sei que é bom, muito bom ouvir o silêncio, e também louvá-lo, e que a alegria esteja sempre em nossos corações.

 Léah                                                                                                                                                FIM